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O lado oculto do luto

Atualizado: 24 de Jun de 2020

Série Luto em meio à pandemia. A Pandemia mudou nossas vidas para muito além do que se pode observar.

Existem momentos em que tudo parece perder a cor, significado e sentido. Perder alguém próximo pode gerar esta sensação. O luto pode represar uma diversidade de sentimentos, sensações com as quais muitas vezes não sabemos lidar.


Entretanto, o luto pode ser um processo que não está necessariamente ligado à morte. Neste sentido, pode ter relação à perda de uma perspectiva, um sonho ou desejo. Pode estar relacionado com acidentes, afastamentos e doenças. Enfim, situações que frustam as expectativas de uma pessoa.


Para melhor entender o cenário, convidamos Imira Fonseca, Doutora em Psicologia pela UFRJ, para nos ajudar a entender o que é este momento tão delicado e como vivê-lo da melhor forma. A profissional ressalta que o luto é:


"Um processo marcado pela vivencia da dor da perda".

E saber lidar com perdas é um desafio em nossa sociedade. A questão cultural exerce influência sobre como as pessoas se manifestam. Sobre a pressão que sentem em 'como devem ou deveriam sentir' ou mesmo se portar. Para ilustrar, apesar de não haver ligação direta de responsabilidade com a perda, muitas pessoas se culpam como se passasse diretamente por elas a responsabilidade diante do ocorrido.


Esse comportamento acontece com frequência, especialmente, muito próximo da notícia. Com tudo, saber compreender o que se sente e como lidar com estes sentimentos é fator importante para que se o luto seja vivido da melhor forma. Imira ressalta ainda que:


"A perda de uma pessoa querida gera dor e sofrimento. Como esse sofrimento será expressado depende muito de cada um. A vivência adequada do luto deve ser entendido como se permitir lidar com esse sofrimento e com as mudanças inerentes à perda. Mas não há fórmula para isso".

O luto atinge 'a pessoa' ou 'grupo de pessoas' de forma individualizada. Há a dor daquele que perdeu seu ente querido mais próximo, há a dor dos familiares e a amigos. Não há como mensurar como cada um reage e sintetiza este sentimento. O que se sabe é que existem diversas formas de vivenciar o luto. Sendo difícil determinar e reconhecer que alguém não está vivenciando o mesmo de forma adequada.


Para com aqueles intimamente ligados à perda, é importante que estejamos atentos aos sinais durante o processo do luto. Familiares e amigos próximos podem se disponibilizar a ouvir mais e a entender o que a pessoa está pensando e sentindo. Entretanto, caso seja observado um sofrimento intenso, é importante buscar auxílio profissional. A psicologia, neste sentido, se apresenta como uma possibilidade de suporte dentro de um contexto em que as pessoas estão vivendo. E pode atuar identificando se para além do luto existe algum fator de depressão associado. Quanto à forma de prestar suas últimas homenagens, há aqueles que preferem se reservar por um período, ou acolher os familiares em outros momentos que não o velório e o enterro.


Em tempos de COVID-19, não só o mundo aparente foi transformado. Mas também uma cadeia de significados e ritos que alteram a percepção com que lidamos com a perda e o luto. O ritual da despedida com o qual estamos acostumados foi abreviado, em muitos casos suprimidos. Apesar de nossos costumes, um processo de luto saudável não precisa de rituais como velório e enterro. É justamente o processo de aceitação da perda o mais importante ao longo da vivência do luto.



A Agência ZeroUm se solidariza com todas as famílias que vivenciam seus lutos em tempos de pandemia.




Bruno Velasco

Agência ZeroUm