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O Brasil que chora Marília

Ela não cantou apenas música, cantou realidades invisíveis de muitas.


Marília Mendonça. Foto: reprodução Instagram.
Marília Mendonça. Foto: reprodução Instagram.

Vivemos um tempo em que reabertura de locais públicos, questionáveis ou não, sinalizava algum renascimento. Os últimos anos têm exigido do brasileiro bastante, seja no âmbito social, político e sobretudo emocional. A pandemia trouxe uma carência ainda maior de notícias boas. A homem não ficou melhor diante de uma possibilidade de fim. Nada se sobrepôs a duas semanas de afeto. Por vezes, as 'lives' eram os refúgios onde milhões se reencontravam com aquele mundo lá fora que havia abruptamente deixado de existir.


Vozes e mais vozes entoaram nossos desejos, aproximaram nossos afetos, traduziram aquilo que sentíamos. Fizeram-se nossas próprias vozes. Falavam por nós como se pudessem entender aquele dado íntimo que só cada um nós sabia. Ontem, em um país carente de vozes que se posicionem bem, que falem por todos e todas, uma voz forte, singular e potente se calou.


O Brasil que chora Marília Mendonça é um país carente de si. De bons reflexos, de exemplos a seguir. Órfãos da própria história que não souberem compreender. Mas aquela voz sabia, e ensinava. E isso trazia paz. O Brasil que chora Marília é o Brasil que precisa urgentemente reconhecer sua força e seu poder transformador. Ela já havia enxergado, fez seus anos de revolução, escreveu seu nome e deixou seu legado.



Bruno Velasco

Agência ZeroUm