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O que ainda precisamos aprender no combate ao racismo

Um capítulo triste na história do futebol e da humanidade, mas com uma resposta à altura por parte de ambos os clubes envolvidos. Mas, e se fosse aqui no Brasil? Estamos preparados para nos posicionarmos e com tudo o que isso implica?

O ano de 2020 segue sendo incomparável em virtude dos seus desafios e em face da falta de harmonia que se sugeriu com o início da pandemia. O coletivo ruiu lentamente frente aos nossos olhos, subjugado a interesses dúbios.


A julgar pelos protestos que ganharam corpo nos Estados Unidos da América com os assassinatos de George Floyd, Breonna Taylor, bem como a remoção de esculturas de escravocratas em cidades ao redor do mundo, com a histórica noite sem jogos na NBA e da liderança de Lewis Hamilton, o mundo pouco avança em questões raciais.


No Brasil, Beto Freitas, trouxe de volta à tona a luta diária das periferias das grandes cidades. Há uma guerra invisível, na qual poucos querem se envolver, ganhando contornos ainda mais trágicos em pleno século XXI. A informação que deveria nortear, atualmente, é utilizada para confundir e criar simulacros de realidade para pessoas famintas em consumir fatos rasos, não verificados, que tratam de ordens pessoais e, geralmente, ofendem e refutam qualquer necessidade de reflexão.


O mundo neste novo milênio precisa aprender a lidar com os extremistas cada vez mais espalhados, porém organizados e com voz em redes sociais, parlamentos, telejornais, sites e afins. Para além daquilo que pode parecer engraçado, existe uma mensagem de dominação. De expansão de um pensamento que é preocupante e tem encontrado pouca resistência em nós. O mundo que enfrentamos todos os dias é uma 'Matrix' de nossos dilemas inventados, da família fictícia, dos vícios escondidos e das virtudes ensaiadas. Nada é verdade como parece ser. Apenas o desejo de parecer correto e parecer real.


E, apesar disto, de toda esta abordagem inicial em muitas poucas linhas em virtude da abrangência e importância do assunto, um árbitro se sente no direito de agredir verbalmente um integrante da comissão técnica do Istambul em duelo realizado em Paris. Como lição, os jogadores envolvidos como o brasileiro Neymar se recusaram a continuar a partida com a equipe de arbitragem que ali estava.


Após vários minutos e tendo sido divulgado horário de reinício, a partida foi remarcada. Desta vez, com nova equipe de arbitragem. Mas a pergunta que reside em todo este imbróglio é a que nos fazemos há algum tempo: E se fosse aqui? Estamos preparados? Até quando? Como sociedade estamos preparados (se é que isso pode ser dito) para tratar de um capítulo indesejável de nossa história para somente assim seguirmos em frente?




Bruno Velasco

Agência ZeroUm