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O Setembro Amarelo e você...

Atualizado: 20 de Set de 2020

Saiba o que é o projeto e como pode contribuir para a saúde das pessoas.


Símbolo da Campanha
Símbolo da Campanha

O setembro amarelo é uma campanha para conscientizar as pessoas sobre as altas taxas de suicídio no país. Nesse mês, especificamente, são incentivados debates sobre as condições de saúde mental da população, alertando sobre o sofrimento que pode desencadear um suicídio.


É importante assimilarmos a mensagem e levá-la conosco no dia a dia. E para melhor entender a campanha e como podemos colaborar, a Agência ZeroUm convidou Imira Fonseca, Doutora em Psicologia pela UFRJ para uma bate-papo esclarecedor. Confira:



Como cada um de nós pode ajudar na prevenção do suicídio?

"Sendo menos preconceituosos. Para mim, essa é a ajuda mais importante. Ë muito comum ouvir de pacientes que não querem que ninguém saiba que estão em terapia, ou que quando contam que estão, passam a ser tratados como pessoas pouco capazes. Esse preconceito da sociedade limita as pessoas que estão em sofrimento de procurar ajuda, porque elas não querem ser consideradas problemáticas ou malucas.


Outra dificuldade também diz respeito a um péssimo hábito que temos de diminuir o sofrimento do outro, de comparar sofrimento. E aí, uma pessoa que está sofrendo geralmente é acusada de sofrer a toa, porque existem milhões de pessoas que estão passando fome e ela tem tudo em casa, por exemplo".



Quais cuidados devemos tomar para melhor lidarmos com a situação limite?

"Conhecendo alguém que esteja dando sinais de que pode cometer suicídio, ofereça apoio. O que isso significa: deixe a pessoa falar, ofereça carinho, não ridicularize ou diminua o motivo do sofrimento dessa pessoa. E, principalmente, a oriente a pedir ajuda profissional: psiquiatra, psicólogos... Por melhor boa vontade que alguém tenha, não tem o conhecimento especializado para oferecer a ajuda adequada. Por isso, é tão importante entrar em contato com profissionais.

Se você é a pessoa que está em sofrimento e começou a ter ideias suicidas, procure ajuda. Ligue para o CVV (Centro de Valorização da Vida), procure um psiquiatra, um psicólogo, um CAPS. O seu sofrimento é real. Não precisa desqualifica-lo. E com ajuda profissional, você poderá se sentir bem novamente".



Quais razões podem levar uma pessoa a pensar no suicídio como solução? E como lidar com esta situação?

"Sofrimento. Escolhem se matar pessoas que já não conseguem suportar o sofrimento que sentem. Esse sofrimento pode ser gerado por diferentes fatores, como depressão, abuso de substâncias, condições sociais de extrema pobreza, ou condições sociais altamente punitivas (como acontecia muito no Japão, em que as pessoas se matavam por acharem que estavam causando desonra para sua família). Para lidar com essa situação e prevenir o suicídio, a pessoa precisa de acolhimento e de ajuda profissional".



Qual o papel do Psicólogo dentro da abordagem do Setembro Amarelo? E quais papéis pode ainda ocupar dentro deste projeto?

"O psicólogo como um agente de promoção de saúde mental pode ser mais um profissional a ajudar a divulgar informações sobre a campanha e também sobre saúde mental e sofrimento. Ainda hoje, temos muito preconceito e desinformação sobre o sofrimento mental. E, por isso, as pessoas acabam tendo muita dificuldade de pedir ajuda, principalmente para um profissional da área. Então, nesse mês, que traz a tona essa temática, o psicólogo pode atuar como difusor de informações assim como ser a pessoa que vai oferecer o acolhimento necessário para quem estiver pensando em suicídio".


Como o ano de 2020 pode estar potencializando os sentimentos?

"O isolamento social e a situação de apreensão por não saber quais os efeitos do vírus no seu próprio corpo são muito desgastantes e estressantes. E isso tem sido um fator importante que está fazendo mal à saúde mental das pessoas. Já no início da quarentena, a OMS havia alertado para a possibilidade de aumento de casos de depressão e transtornos de ansiedade. E, na prática, isso realmente está presente. O medo de um vírus por si só pode deixar mais pessoas ansiosas, sem saber o que vai acontecer com elas. O número de mortos e infectados aumentando colaboram para que as pessoas fiquem ainda mais temerosas com o vírus.


Ao passo que problemas financeiros, instabilidade no contexto socioeconômico do país, perdas de empregos, interrupção de atividades prazerosas podem gerar desânimo excessivo e, até mesmo, depressão. Conviver durante muito mais tempo do que o seu habitual pode fazer com que as pessoas comecem a notar e se descontentar com o que há de ruim nessa relação que vivem (seja ela qual for). O número de divórcios aumentou, por exemplo, as relações familiares há muito tempo são marcadas por problemas emocionais, regras inventadas pela sociedade, e isso gera ainda mais sofrimento. Resultado: aumento dos casos de depressão e transtornos de ansiedade".


A Agência ZeroUm prestando este serviço à sociedade deseja que consigamos - na melhor maneira possível - viver bem este tempo de quarentena, isolamento social e desafios. Que saibamos solicitar auxílio quando necessário.


Diga SIM à Vida!


Bruno Velasco

Agência ZeroUm