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Temos repertório

Em semana cheia de ‘surpresas’, técnicos brasileiros aplicam nó tático, com maior exposição do time, sabendo jogar nos espaços deixados. O Botafogo de Autuori, o Santos de Cuca e o Palmeiras de Luxemburgo se sobressaem com seus resultados em campo mas também com a evolução das propostas apresentadas com os mesmos recursos.


Autuori. Flamengo x Botafogo pelo Campeonato do Brasileiro no Estadio Maracana. 23 de Agosto de 2020, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/Botafogo.
Autuori. Flamengo x Botafogo pelo Campeonato do Brasileiro no Estadio Maracana. 23 de Agosto de 2020, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/Botafogo.
“O jogo se ganha dentro das quatro linhas”.

A frase é antiga, batida. Mas latente em uma semana em que resultados surpreenderam. A novidade passou desde à aplicação do tradicional 4-4-2 com Autuori focado em contra-ataques ao ponto de fechar espaços, jogar feio e garantir os pontos necessários para que se tenha tranquilidade para trabalhar como no caso do Palmeiras no meio de semana.

O fim de semana, por sua vez, reforçou a nova postura dos treinadores. Cuca e Vanderlei se enfrentaram em um confronto que elevou o nível de agressividade do Palmeiras e mostrou um Santos protagonista como no meio da semana, fato semelhante como na vitória diante do Athletico. A vitória no Derby, por detalhes, ficou com os Alviverdes.


No Rio de Janeiro, Botafogo mostrou mais uma vez que o novo pode ser feito quando se faz diferente um modo de jogo já conhecido, ou que esteja fora de costume. A armação do Botafogo passa pela possibilidade de criar com agilidade nos espaços deixados pelo adversário. E se não fosse um gol incrivelmente perdido por Pedro Raul, o Glorioso teria alcançado maior êxito na rodada.

Para além do discurso e do debate entre as ‘escolas de entendimento do futebol’ e ‘não das nacionalidades dos treinadores’, floresce em meio a um entendimento de terra arrasada de que culturalmente o futebol apresentado no Brasil, sobretudo após Corinthians ter se sagrado Campeão Mundial com Tite, tem algo novo para mostrar, para propor em vez de reagir. O país do futebol se reinventa com antigos personagens que voltam a se sobressair em combates, em estratégias, dentre as diferentes formas de se enxergar o futebol. O futebol persiste, resiste e parece renascer.



Bruno Velasco

Agência ZeroUm