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Tons de ansiedade

Quando novas demandas ou mesmo o acúmulo destas fazem com que soframos, quando problemas parecem maiores que o real, e a 'cabeça' não desliga, o problema pode estar relacionado com Ansiedade. Mas o que seria afinal?

Ansiedade. Foto by Wix.
Ansiedade. Foto by Wix.

Quando nos encontramos em momentos nos quais observamos que nossos comportamentos habituais foram modificados por algum fator externo, por razões desconhecidas ou negligenciadas, quando a forma como reagimos e nos sentimos em relação aos fatos deixa de ser igual e fica distante do normal que conhecemos, podemos estar vivenciando um processo chamado Ansiedade. Para melhor entender o que é e como lidar com ela, convidamos Imira Fonseca, Doutora em Psicologia pela UFRJ, que afirma:


"Antes de tudo, é importante saber que ansiedade é normal. Todo mundo tem. E, na verdade, tem que ter. Quem não tem ansiedade, se coloca em risco. Em termos de espécie, um indivíduo que não tem um sistema detector de ameaças e perigos pode colocar todo o grupo em apuros. Então, ter essa noção evolutiva da ansiedade ajuda a entender o quanto ela é importante".

A Ansiedade que estamos abordando neste artigo é quando o desequilíbrio emocional se apresenta de modo desproporcional. Em quem está ansioso, podemos observar uma série de manifestações. O corpo reage à ação do sistema Nervoso Autônomo Simpático que ativa o 'Sistema de Luta e Fuga' em situações em que não haveria risco. Estas reações podem estar ligadas a preocupações excessivas, tomadas de decisão entre outras coisas. E dentro deste contexto, diversos sintomas podem ser observados, tais como palpitação, respiração ofegante ou sensação de falta de ar, dor de cabeça, enjoo, diarreia, tontura, ondas de frio e calor, tremor, sudorese, entre outros.


"A ansiedade é uma resposta emocional e cognitiva que é ativada sempre que fazemos uma antecipação de perigo, de uma situação catastrófica, de uma situação que não temos controle".

A vida fica prejudicada quando a ansiedade 'rouba' a atenção para si, atrapalhando o processamento das outras informações importantes no dia a dia. E quando os sintomas aparecem, ou a pessoa continua com o foco do pensamento no problema que foi o gatilho da crise, ou passa a monitorar demais os sintomas e só pensar no suposto risco que eles podem lhe causar.


"Suposto porque os sintomas de ansiedade não são perigosos, eles apenas são desagradáveis".

É importante ressaltar que a Ansiedade faz parte da nossa vida, e que o sistema de Luta e Fuga protegeu nossa espécie desde os tempos dos homens da caverna. Entender que a ansiedade não nos fará mal, que se trata de uma defesa do nosso organismo, e que podemos agir mesmo com ansiedade é importante. Assim, os sintomas diminuem e param de interferir no dia a dia de quem está ansioso. Por sinal, a rigor, as pessoas sofrem de ansiedade ou transtornos de ansiedade. Não existem pessoas ansiosas.


Imira enfatiza que "todo mundo tem um radar para perigo instalado no próprio corpo. E ter esse radar é super importante para nos manter vivo. É esse radar, por exemplo, que faz a gente não atravessar uma rua muito movimentada, faz a gente evitar alguns esportes muito radicais quando não se tem os materiais adequados. Ou seja, esse radar é bom e precisa existir. Esse radar seria o que ativa a nossa ansiedade. Pessoas que tem transtornos de ansiedade estão com esse radar extremamente ativado, desregulado. Então, o sistema de ameaça ativa a todo momento e gera os sintomas de ansiedade muitas vezes, em situações que não são perigosas, fazendo as pessoas sofrerem".



A relação Medo e Ansiedade


Para muitos, no senso comum, ambos caminham juntos. Mas seria verdade esta afirmação? Imira sinaliza que não há um consenso sobre a definição de medo e ansiedade. Com isso, a relação entre os dois segue sendo um desafio. Entretanto, Aaron Beck e mais dois colegas (1985) propuseram dentro do campo da Terapia Cognitivo Comportamental que o medo é como "um processo cognitivo de avaliação do perigo real ou potencial que pode existir em uma situação. Já a ansiedade é o estado emocional e cognitivo desagradável que é ativado em nosso corpo quando o medo foi estimulado".


No que diz respeito à duração, a ansiedade tende perdurar por um tempo maior. A explicação é fácil. Não se fica com medo o tempo todo, mas é comum estarmos em um estado de alerta, de apreensão por longos períodos. E , justamente, esse estado de alerta e apreensão é a ansiedade. Uma diferença conceitual porque os sintomas são os mesmos, uma vez que já que em ambos o Sistema de Luta e Fuga é ativado.


Auxílio profissional


Caso os sintomas prejudiquem, incomodem demais, é importante buscar suporte profissional, principalmente de psicólogos. Em alguns casos, não se faz necessária a medicação. Práticas de relaxamento, mindfulness (atenção plena), respiração e meditação também ajudam muito. O exercício físico, especialmente, corridas e caminhadas é um aliado.


Imira ressalta a importância do processo terapêutico para que o 'radar' seja ajustado, fazendo possível equilibrar a ativação do sistema de ameaça com mecanismos que ativem o sistema de tranquilidade e calma. Cuidar da saúde é importante


"Contudo, o mais importante é tentar diminuir a autocobrança, o autocriticismo. Esse é o ponto mais difícil e geralmente, as pessoas só conseguem com ajuda profissional".

A Agência ZeroUm, prestando um serviço à sociedade, reforça que é importante que cuidemos de todos os aspectos da nossa saúde. A saúde mental é importante e quanto mais for possível esclarecer os cuidados necessários, menor será o preconceito a respeito do tema e a vergonha em buscar auxílio. Seja suporte aos que precisam, busque suporte profissional sempre que necessário.




Bruno Velasco

Agência ZeroUm