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Túlio Maravilha, idolatria, gols e títulos

Atualizado: 19 de Set de 2020

Série Academia do Futebol - Eterno atacante alvinegro fala da sua trajetória.

Foto: Gabriel Assis - BFR
Foto: Gabriel Assis - BFR

De fala mansa, olhar humilde e o mesmo sorriso farto dos tempos áureos do futebol. Túlio Humberto Pereira Costa, Goiano, 51, é o extrovertido e “folclórico” ex-jogador de futebol mais conhecido como ‘Túlio Maravilha’.


O artilheiro relembra seu histórico no futebol que teve início de forma vitoriosa no Goiás E.C. em 1988. O técnico era nada menos que Luiz Felipe Scollari. Um ano mais tarde foi artilheiro do Campeonato Brasileiro, fato que o projetou ao posto de ídolo. Mas antes de fazer sucesso no Brasil transferiu-se para o exterior.


Seu retorno ao futebol brasileiro foi justamente com a camisa que o eternizou. O Botafogo repatriou o atacante que à época utilizava o número 9 às costas. A parceria e a identificação com as cores alvinegras lhe traria bons frutos em 1994 com a artilharia da competição. No ano seguinte, já com o imortalizado número 7 às costas, o atacante não só fez o gol do título de 1995 como deu ao ‘Glorioso’ o Primeiro Título da Era Moderna do Futebol Nacional.


Com boas atuações, a Seleção Brasileira foi consequência natural. Lá o atacante pôde demonstrar, também, toda sua irreverência. Num jogo diante da Argentina, maior rival do Brasil no continente, o atacante dominou a bola com o braço, ajeitou e fez o gol que classificou o Brasil para a final. Ao ser questionado sobre o feito, sem pestanejar afirmou : “A mão de Deus”, referindo-se ao gol de Maradona, em cima da Inglaterra, quando o craque argentino ‘cunhou’ esta mesma expressão.


Com jeito único, irreverente e independente do clube para o qual se torce, Túlio é querido por todos. Por sinal, em campo, protagonizou outros belos e polêmicos lances. Pela Seleção Brasileira, após bela jogada do atacante Sávio, então no Flamengo, que tentou um gol por cobertura, a bola - caprichosamente - tocou o travessão. Sem goleiro à sua frente, o goleador não pensou duas vezes e completou com estilo: de bicicleta. Belo gol para sua carreira.



Entretanto, nem sempre a personalidade ao anotar o gol foi bem recebida. Atuando pelo Botafogo na Libertadores em 1996, após receber a bola sem marcação e ultrapassar o goleiro – em pleno Maracanã – o goleador virou-se de costas, levantou a bola e completou de calcanhar para um gol vazio. Extasiados, a torcida demorou a entender. Aos poucos, a torcida do Botafogo foi ao delírio. Todavia, o fato gerou revolta entre os torcedores da Universidade do Chile.


Ídolo de diversas torcidas, sua popularidade foi comprovada com sua eleição ao cargo de Vereador de Goiânia/GO (2008). Porém, com pouco mais da metade do mandato em vigor, a paixão pela bola falou mais alto. Túlio, então, mais uma vez se reinventou e levou de volta a famosa irreverência aos gramados. O Projeto Mil Gols falaria mais alto. Ao fim, 1002 gols em sua conta pessoal.


Independente dos números oficiais, das cores, das bandeiras, Túlio Maravilha é personagem-patrimônio da história do Futebol Brasileiro. Sorte daqueles que puderem ter a experiência de assistir seus jogos e comemorar seus belos gols.




Bruno Velasco

Agencia ZeroUm