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O Mercado de Trabalho e o Autismo

A importância da Orientação Profissional para pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e o futuro profissional.


Autismo.
Autismo.

A juventude é um período de transformações, de indecisões, incertezas e de tomada de decisões que irão transformar/reger o futuro profissional. Dentre as transformações que ocorrem na vida do jovem comum, não podemos deixar de considerar aquelas que existem em mesmo grau na vida de jovens com qualquer tipo de necessidade educativa especial. Todos são elegíveis à orientação apesar da diferença necessária dentro do processo de identificação da vocação profissional.


Entretanto, as iniciativas que visam inserir os portadores de necessidades especiais na sociedade são relativamente novas. Somente ao término da Segunda Grande Guerra (1939-1945) é que surgiram preocupações em integrar os indivíduos com idade economicamente ativa. Havia grande número de pessoas que retornavam de combate mutilados por questões de ordem física, sensorial ou intelectual. No Brasil, a iniciativa ocorreu concomitantemente com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que proporcionou a implementação das primeiras políticas assistencialistas para as pessoas com deficiência.


Apesar disso, é importante ressaltar que ainda hoje existe certo grau de dificuldade para que a pessoa com necessidade especial ingresse no mercado de trabalho. O estigma associado à desinformação e o culto à aparência constituem obstáculos dentro do processo de emancipação dos jovens. Com isso, a promoção social do jovem com necessidades educativas especiais por meio da Orientação Vocacional deve ser encarada como fundamental à sua autonomia. Sob este ponto de vista, é de extrema importância o entendimento/conhecimento rigoroso das aptidões individuais que possam permitir estratégias adequadas, capazes de promover uma integração profissional mais rápida e mais bem sucedida.


Isto posto, no contexto das aptidões individuais, a Orientação Vocacional deve ser capaz de auxiliar na definição do percurso escolar sem perder de vista as questões inerentes a cada patologia. Outrossim, a participação da família é de suma importância para que ocorra uma integração satisfatória. Ainda dentro deste recorte, é importante ressaltar a necessidade da individualização dos procedimentos conforme o grau da deficiência, a idade, o nível sociocultural, a sua situação escolar e familiar, entre tantos outros fatores.


No que diz respeito à educação, é importante frisar a necessidade de garantir equidade dentro de um sistema cujas práticas educativas consigam assegurar a gestão da diversidade, com diferentes tipos de abordagens, e estratégias que sejam capazes de responder às necessidades educativas dos alunos. Neste sentido, a instituição de educação/ensino - assim como as de saúde e reabilitação - atuam com viés integrador dos jovens na sociedade.


Diante do exposto, o sucesso do plano de Orientação Vocacional está intimamente ligado ao contexto amplo ao qual estiver inserido. Ou seja, a relação entre as instituições é capaz de proporcionar a adequação das exigências do posto de trabalho conforme as capacidades dos jovens. A avaliação vocacional das pessoas com deficiência, neste sentido, difere dos demais em virtude da natureza global, contínua e precoce das atuações; bem como em razão da interdisciplinaridade do processo que envolve compromissos de ordem médica, psicológica, escolar, profissional e social do jovem.


No que tange o processo de inclusão, cabe considerar e fazer referência à Teoria Histórico-Cultural de Vigotski (1930) que lança luz sobre indivíduos com síndromes complexas. Conforme a teoria, estes podem não conseguir se expressar dentro dos padrões conhecidos tidos como comuns, porém são ainda capazes de se comunicarem de outras formas, conseguindo estabelecer conexões/relações com os demais e consigo mesmo. Neste perspectiva, o processo de inclusão não pode negligenciar os potenciais existentes na realidade destes jovens.


A escola, por sua vez, dentro de um contexto ampliado é a responsável pelo desenvolvimento destes jovens. É quem identifica e proporciona as condições de aprendizado, é quem estimula o desejo do jovem com necessidades educacionais especiais a aprender. É o espaço de convivência com a diversidade e com as particularidades dos sujeitos/alunos.


Neste aspecto, a educação voltada para a Carreira Profissional tem por objetivo, senão, criar condições que permitam aos jovens a aquisição de competências essenciais para que a tomada de decisão a respeito da carreira possa ocorrer com base no conhecimento acerca de si mesmo e nas oportunidades educativas ocupacionais. Ou seja, entendendo e identificando as características individuais e relacionando-as com as respectivas necessidades de formação e colocação no mercado.


Entretanto, retomando a questão do mercado de trabalho para além da Lei de Cotas, é importante ressaltar que a inserção das pessoas com necessidades especiais ocorre em melhor grau quando coordenado por meio de Associações e/ou Entidades que oferecem algum tipo de curso profissionalizante. É importante sinalizar, ainda, que no caso de instituições voltadas a pessoas portadoras de alguma necessidade, sendo estas necessariamente dirigidas por seus iguais, não há o costume de priorizar a empregabilidade em detrimento das condições do mercado de trabalho. Existe o intuito de não fazer da atividade laboral apenas um emprego ou preparação para uma ocupação. Estas instituições trabalham sobretudo para que exista uma formação sócio-política voltada em entender as reais condições do trabalho.


As empresas se tornarão verdadeiramente inclusivas à medida em que suas motivações não se restrinjam ao simples cumprimento da Lei de Cotas e, sim, quando entenderem que a contratação de pessoas com necessidades especiais beneficia a todos, inclusive as próprias empresas, e refletem conceitos altamente valorizados no Século XXI, desmistificando preconceitos ainda enraizados em nossa sociedade.

Quanto à natureza, podemos concluir que a Orientação Vocacional voltada a jovens com necessidades educativas especiais é complexa em virtude do grau de informações que são necessárias. Neste sentido, a duração do processo tende a trazer maior segurança em seus resultados à medida em que sua duração for mais extensa e associada a uma gama variada de atividades nas quais os jovens estiverem envolvidos, não incorrendo – desta forma – no risco de o resultado sinalizar algum tipo de incapacidade de modo não adequado.




Bruno Velasco

Agência ZeroUm