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A reinvenção de Abel Braga

O futebol, sobretudo na temporada 2020-2021, tem se mostrado ainda mais distante do previsível no Brasil e no mundo.

Foto: Érica Martin - Agência Enquadrar.
Foto: Érica Martin - Agência Enquadrar.

O silêncio digno do ostracismo aliado a resultados pouco expressivos na visão da imprensa. Apesar de um título, a demissão quando dirigia o Flamengo foi justificada em prol de um jogo bonito e não apenas eficaz. Ruíram os defensores quando Jorge Jesus cunhou resultados intangíveis e que se mostram fora de curva na realidade. Aquele foi o dito ano perfeito do português.


Apesar da troca no comando ter sido questionada, o perfil vencedor do treinador e sua forma comprovada de trabalhar o credenciaram a ser preferência por aquela gestão que iniciaria os trabalhos no rubro-negro. Começou a se estruturar, mas não teve o tempo de maturação. Ou não cedeu a desejos internos e caiu.


Os trabalhos que se sucederam, no Cruzeiro e no Vasco da Gama, não estavam à altura de sua própria história. Os ambientes dos clubes e as situações de tabela não permitiam que ele tivesse a tranquilidade em implementar seu trabalho. Ele havia quebrado a regra pessoal de não seguir trabalhos de outros, o seu mesmo não foi à frente.


Os infortúnios e a brevidade das últimas experiências tornaram céticas as previsões do seu trabalho à frente do Internacional de Porto Alegre. Relegaram a pauta, retiraram o holofote e confirmaram suas afirmações com os primeiros resultados com um time órfão de um futebol muito próprio do ex-treinador argentino.


O silêncio e a miopia midiática, a troca de comando na direção do clube, a escolha pelo nome do novo treinador propuseram o caos necessário para afastar a atenção de seu trabalho. Assim, Abel Braga se reinventou. O imponderável do futebol agiu contra o determinismo. O Inter emplacou a sétima vitória seguida e ajudou a reescrever a palavra, não é mais ultrapassado como utilizado precocemente. É ultrapassando.



Bruno Velasco

Agência ZeroUm