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Mãe em tempos de COVID

Atualizado: 26 de Mai de 2020

A realidade ainda mais dura e desafiadora da maternidade.


Mãe & Filho. Foto: Wix Media.
Mãe & Filho. Foto: Wix Media.

A maternidade é registrada nos ditos populares como uma bênção. A chegada de uma criança é capaz de revolucionar a vida de ao menos cinco pessoas que estão no seu entorno. A maternidade em tempos de quarenta se mostra um desafio ainda maior para milhões de mães que precisam agora se reinventar mais uma vez.


As mães que trabalham 'fora' e estão de home office, precisam ainda mais de energia frente ao esgotamento que pode ser cuidar, dando a atenção necessária. Porém, a partir da quarentena, tem sido necessário ajudar diariamente nas tarefas da escola. O modelo online adotado como recurso tem onerado a atenção dos pais. Muitos destes estão trabalhando seguem trabalhando, nem todos de home office, e se dividem entre uma reunião e outra no cuidado de uma ou mais crianças ao mesmo tempo.


O cenário das mães que não estão trabalhando não é mais fácil. A atenção requerida neste momento é diferenciada. A criança percebe o ambiente diferente, suas rotinas mudaram e alguns hábitos antigos podem voltar. A criança ainda não sabe verbalizar o que sente. Neste novo cenário com uma nova dinâmica familiar, tem sido comum relatos indicando algum nível de regressão, como medo de dormirem sozinhas e o 'xixi' na cama.


Especialistas afirmam que a regressão é comum em um cenário que gere algum desconforto para a criança. A separação dos pais, ou o distanciamento de entes queridos neste momento, e o início das aulas em uma escola nova estão entre as questões mais comuns.


José Renato Velasco - Psicólogo - Arquivo Pessoal
José Renato Velasco - Psicólogo - Arquivo Pessoal

Consultamos o Psicólogo José Renato Velasco, e o mesmo ressalta que


"tudo o que se sabe sobre COVID 19 é muito recente e as pesquisas avançam a cada dia, mas ainda não se tem respostas concretas. As crianças convivem com adultos que inevitavelmente também se sentem temerosos, ansiosos e angustiados frente a toda essa situação. Adultos que acompanham noticiários sobre a temática, comentam entre si das preocupações e percepções, é uma dinâmica familiar de influência recíproca, a criança tende a observar e acompanhar parte dessas reações que muitos de nós adultos também experimentamos".


Para entendermos um pouco da nova rotina, em São Paulo, acompanhamos a de Cintia, 34, mãe do Ignacio, 5 anos. Todos os dias, por volta das 5h da manhã a mãe se levanta para adiantar as tarefas do dia antes que o Ignacio acorde. E são muitas as demandas novas na rotina, desde preparar o almoço - pensando sempre em um cardápio especial e de qualidade até organizar para que todas as refeições e atividades sejam executadas no horário devido para não afetar seu desenvolvimento.


Quando o relógio marca 9h, Ignacio precisa estar pronto para as aulas virtuais. Ele segue um roteiro próprio e veste seu uniforme azul para participar das aulas. Cintia conta com o apoio de seu marido nas atividades, mas o olhar e a sensibilidade de mãe não desliga nunca. Sempre atenta, sabe quando é preciso intervir, orientar e solicitar ajuda ao filho. No período da tarde, mais aulas. Antes disso, a preocupação para que o filho almoce com tranquilidade. Ao fim da sua jornada de trabalho, o Ignacio ainda está com todo 'pique' exigindo dos pais disposição e atenção para brincar, cuidar do banho, jantar e dormir.


No Brasil de hoje, a cada amanhecer, são milhões de Cintias que acordam e dedicam muitas horas de seus dias a oferecer o que se tem de melhor - na condição que é possível agora, minimizando com amor e carinho o impacto que este novo tempo trouxe para com as relações. É muito bom para a criança poder identificar aquela que é capaz de trazer a condição ideal do acolhimento de volta. Esta pessoa, em linhas gerais, é aquela que assume o papel de mãe. É aquela que é reconhecida pela criança como mãe.




Bruno Velasco

Agência ZeroUm



A Agência ZeroUm deseja a todas as mães, de todos os tipos, um Feliz Dia das Mães!